Capítulo V
12.24.07
SÍNDROME DE PUSHER
A síndrome de pusher significa o não alinhamento do corpo no espaço, aonde o paciente empurra fortemente para o seu lado hemiplégico em todas as direções, resistindo a qualquer tentativa de correção passiva da sua postura, isto é, resiste às correções que trariam o peso do seu corpo no sentido, ou na linha mediana do seu corpo para o lado não afetado (Davies, 1985).
Essa síndrome tem sido considerada uma das mais intrigantes alterações de controle postural encontradas em pacientes com lesão encefálica. Alguns estudos de imagens, através de ressonância magnética ou tomografia computadorizada, indicaram os núcleos ventral posterior e lateral, e tálamo póstero – lateral como estruturas críticas para a manifestação do comportamento de empurrar (Pontelli, et al 2005).
A fraqueza muscular, ou o tônus anormal do tronco levam à padrões de alinhamento atípico, cintura escapular e pélvica, criando uma posição inicial atípica para o movimento funcional. Interfere nos padrões de ativação muscular, limitando a transferência de peso entre as extremidades (Umpherd, 2004).
Alguns pacientes são interpretados como inelegíveis para a reabilitação, quando a síndrome de pusher já esta mais pronunciada, constituindo assim um problema (Davies, 1985).
Davies em 1985 sugeriu uma associação com acidentes vasculares encefálicos no hemisfério direito, considerando sintomas como neuropsicológicos de heminegligência e anosognosia sendo parte da síndrome. Porém estudos mais recentes em pacientes com a síndrome de pusher permitiram a dissociação da alteração de controle postural dos sintomas neuropsicológicos e encontraram com freqüência lesões no hemisfério esquerdo (Pontelli, et.al, 2005).
Se o indivíduo apresentar uma lesão em hemisfério esquerdo, além da síndrome de pusher, ele ainda apresentará uma afasia muito grave ou nenhum problema de fala. Entretanto esse último grupo pode consistir de pacientes cujo hemisfério cerebral dominante é o direito. O grau de dificuldade variará de paciente para paciente e nem sempre se relaciona diretamente com uma perda de movimento ativo. Alguns pacientes podem ter movimento seletivo na mão e pé hemiplégico apesar de manifestações acentuadas da síndrome (Davies, 1985).
O padrão comumente descrito de encurtamento do tronco no lado afetado é somente um dos problemas de alinhamento possível. A fraqueza do tronco em um dos lados resulta em um abaulamento da caixa torácica e em uma flexão lateral da coluna com uma convexidade do lado afetado (Umphred, 2004).
Os pacientes com a síndrome de pusher apresentam um importante distúrbio de orientação do corpo em relação à aceleração da gravidade. Quando sentados em uma cadeira inclinável no plano frontal, com proteção lateral e sem auxilio da visão, eles se sentem verticais( Johannsen, et al, 1995 ).
As alterações notadas nesses pacientes podem atrasar a reaquisição da marcha. Se o lado hemiplégico for o direito, a cabeça do paciente fará uma rotação para esquerda, estando ao mesmo tempo desviada lateralmente para a esquerda, caracterizando um encurtamento da distância entre a ponta do ombro esquerdo até o pescoço. A sensibilidade pode estar ausente ou diminuída (Davies, 1985).
5.1 SINAIS
O campo visual pode estar afetado, tendo uma hemianopsia deixando de virar a cabeça ligeiramente, a fim de compensar o defeito de campo visual. Abandona assim os estímulos visuais que chegam frequentemente empurrando a sua cadeira de rodas contra objetos que possam estar no seu caminho (Davies, 1985).
Apresenta carência de expressão facial, estando ela imóvel que quando ativada é unilateral, com hiperatividade direita, com mau controle da respiração e baixo volume (Davies, 1985).
Quando deitado em decúbito dorsal em um leito, observa-se um alongamento do lado hemiplégico da cabeça ao pé. Quando os joelhos são fletidos eles inclinam-se para o lado afetado. Uma resistência é sentida ao tentar virar os joelhos para o lado não afetado, porém nenhuma resistência é observada quando os joelhos são rotados para o lado hemiplégico (Davies, 1985).
Na posição sentada as dificuldades tornam-se óbvias, a cabeça é mantida rigidamente para o lado não afetado apresentando também um encurtamento do tronco nesse dimídio, o lado hemiplégico é alongado e o umbigo está desviado para o lado não afetado (Davies, 1985).
Quando sentado na cadeira de rodas o paciente adota uma postura típica, o tronco está fletido, a cabeça está virada para o lado sadio. Ele senta-se mais para o lado afetado (Davies, 1985).
Durante o ato de inclinar-se para ficar de pé ou se transferir para o leito, o paciente puxa para o lado hemiplégico, embora o tronco esteja acentuadamente encurtado para o lado sadio. O pé afetado pode deslizar para trás por debaixo da cadeira, ou não mostrar nenhuma atividade (Davies, 1985).
Quando de pé o centro de gravidade do paciente está todo para o lado hemiplégico de modo que uma linha traçada do seu pé sadio ao seu esterno seja diagonal ao chão (Davies, 1985).
Durante o ato de caminhar o paciente aduz a perna hemiplégica fortemente, causando um cruzamento pela frente da outra perna quando ela é trazida para frente (Davies, 1985).
Parte integrante da monografia de Rackel Monte Carqueija do Nascimento
