Síndrome de Pusher

11.03.07

A síndrome de pusher significa o não alinhamento do corpo no espaço, aonde o paciente empurra fortemente para o seu lado hemiplégico em todas as direções, resistindo a qualquer tentativa de correção passiva da sua postura. Essa síndrome tem sido considerada uma das mais intrigantes alterações de controle postural encontradas em pacientes com lesão encefálica. Alguns estudos de imagens, através de ressonância magnética ou tomografia computadorizada, indicaram os núcleos ventral posterior e lateral, e tálamo póstero – lateral como estruturas críticas para a manifestação do comportamento de empurrar.

A fraqueza muscular, ou o tônus anormal do tronco levam à padrões de alinhamento atípico, interferindo nos padrões de ativação muscular, limitando a transferência de peso. Os pacientes com a síndrome de pusher apresentam um importante distúrbio de orientação do corpo em relação à aceleração da gravidade.

Davies em 1985 sugeriu uma associação com acidentes vasculares encefálicos no hemisfério direito, considerando sintomas como neuropsicológicos de heminegligência e anosognosia sendo parte da síndrome. Porém estudos mais recentes em pacientes com a síndrome de pusher permitiram a dissociação da alteração de controle postural dos sintomas neuropsicológicos e encontraram com freqüência lesões no hemisfério esquerdo.

O padrão comumente descrito de encurtamento do tronco no lado afetado é somente um dos problemas de alinhamento possível. A fraqueza do tronco em um dos lados resulta em um abaulamento da caixa torácica e em uma flexão lateral da coluna com uma convexidade do lado afetado.

As alterações notadas nesses pacientes podem atrasar a reaquisição da marcha. Se o lado hemiplégico for o direito, a cabeça do paciente fará uma rotação para esquerda, estando ao mesmo tempo desviada lateralmente para a esquerda, caracterizando um encurtamento da distância entre a ponta do ombro esquerdo até o pescoço.

A fisioterapia durante a reabilitação do paciente com síndrome de pusher pode utilizar materiais como bolas suíças, calhas para manter a perna ou o braço bem posicionado, balões, tamborins, bolas de futebol, etc.
É essencial liberar a cabeça da posição fixada, particularmente a flexão lateral para o lado hemiplégico sem resistência, que pode ser feito através de indicações táteis.

Devemos orientar esse paciente quando sentando na cadeira de rodas, pois uma postura errada pode deixar mais evidente os sinais característicos da síndrome.Deve -se sentar com o peso inclinado para frente e os braços apoiados sobre uma mesa porque a postura semi-reclinada pode reforçar os sintomas que são vistos quando ele se encontra de pé

Durante a marcha o lado hemiplégico alonga-se em vez de encurtar-se, e o lado sadio encurta-se em vez de alongar-se. Quanto mais tempo o paciente permanece sentado em cadeira de rodas, mais aumenta a flexão na sua perna e tronco, sendo assim devemos estimular a posição de pé e a marcha logo no início.

A síndrome de pusher é pouco diagnosticada, sendo interpretada na maioria das vezes como um sinal freqüente da patologia de base, com isso os indivíduos acabam não recebendo o tratamento adequado para a reaquisição da linha média.

A intervenção fisioterapeutica precoce, tem um resultado surpreendente no que diz respeito à reaquisição da linha média nesse indivíduo , uma vez que essa síndrome caracteriza-se pela perda do alinhamento corpóreo.

Precisando de Fisioterapia? Clique Aqui e Fale Comigo!
Avaliação Fisioterapia em casa – Rio de Janeiro

17 comentários em “Síndrome de Pusher”

  1. Elaine says on :

    Boa tarde, meu nome é Elaine, estou no 3º ano de fisioterapia, e meu TCC será baseado em esquema corporal, sendo que na Síndrome de Pusher há influência de alterações em esquema corporal, porém estamos com dificuldade em encontrar pacientes com lesão em área temporoparietal á D, (área responsável pelo esquema corporal), ou pacientes com síndrome de Pusher. Por favor se souber onde posso encontrar pacientes com Síndrome de Pusher me avise.
    Obrigada

  2. Dra. Rackel says on :

    Olá Elaine,
    Obrigado pelo seu comentário!
    Realmente é difícil encontrar pacientes com a Síndrome de Pusher, quando fiz o meu trabalho final tomei como exemplo o meu pai, que teve um AVE e apresentou a Síndrome de Pusher. Aconselho que você procure um grande centro de reabilitação neurológica na sua cidade e pesquise se há pacientes com a síndrome.
    Atenciosamente,
    Dra. Rackel Monte

  3. Rejane says on :

    Gostei muito do seu artigo,acho que esse assunto deveria ter mais artigos.Estou fazendo o projeto da minha pós nesse assunto e tenho encontrado poucos artigos.Vc teria referências para me dá?Grata,REjane

  4. Giselle Ventura Garc says on :

    Dra. Rackel gostei muito do seu artigo. Tenho um paciente hemiplégico acometido por AVE, que desenvolveu a síndrome de pusher após sofrer nova isquemia, quais exercicios posso fazer para tratar esta síndrome?

  5. Dra. Rackel says on :

    Olá Rejane,
    Obrigado pelo seu comentário!
    Realmente esse é um assunto pouco explorado! Uma referênica é o livro da Patricia Davies, chamado Exatamente no Centro, existem dois volumes desse livro, e nele a síndrome é muito bem explicada!
    Atenciosamente
    Dra. Rackel Monte

  6. Dra. Rackel says on :

    Olá Giselle,
    Obrigado pelo seu comentário!
    Lá no artigo temos exemplos de exercícios que podem ser feitos com esse tipo de paciente.
    Atenciosamente,
    Dra.Rackel Monte

  7. hellen says on :

    ola..meu tcc sera sobre esse tema..vc sabe onde posso achar artigos sobre isso…pq realmente esta mt dificil

  8. Dra. Rackel says on :

    Olá Hellen,
    Obrigado pelo seu comentário!
    Realmente esse é um tema muito difícil, mas no site scielo você poderá encontrar alguns artigos sobre o tema.
    Também fiz o meu trabalho final com esse tema e não sei se você sabe mas existe um livro chamado Exatamente no Centro, que contém esse assunto!
    Atenciosamente,
    Dra. Rackel Monte

  9. Jussara M Camargo says on :

    Gostei muito deste artigo, venho lendo e pesquisando sobre o assunto, pois minha mãe sofreu avc isquêmico e tem a síndrome.

  10. Dra. Rackel says on :

    Olá Jussara,
    Obrigado pelo seu comentário!
    Que bom que gostou do artigo sobre a Síndrome de Pusher, é importante na hora do tratamento , tratar da maneira adequada para a síndrome.
    Atenciosamente,
    Dra. Rackel Monte

  11. Dra. Rackel says on :

    teste

  12. Gabriela Gomes says on :

    Boa Noite Rackel!

    Sou estudante de Fisioterapia, curso o sexto semestre e estou pesquisando um tema para dar inicio ao meu TCC. Achei o assunto super interessate e me identifico com a fisioterapia neurológica. Já andei pesquisando algumas coisas sobre a síndrome de Pusher, mas como vc mesma já disse em outros comentários ser um tema difícil, por onde devo começar? Está síndrome está relacionada a inviduos que sofreram lesões encefálicas,não é?

    Abraços,

    Atenciosamente,

    Gabriela.

  13. Dra. Rackel says on :

    Olá Gabriela,

    Obrigado pelo seu comentário!

    Realmente é um tema difícil, você pode começar pesquisando no livro da Patricia Davies.

    Essa síndrome esta ligada sim a lesões encefálicas.

    Atenciosamente,

    Dra. Rackel Monte

  14. kleber ferreira says on :

    Boa tarde, mt bom o artigo, tenho paciente que foi diagnósticado com AVE inicialmente, mas diante de todo comprometimento e caracteristicas que estudei, existe a sindrome de Pusher tbm associada, bem…o tratamento dele tem sido dificil já que esses pacientes são não-cooperativos e não atendem muito bem aos comandos verbais os quais designo, mas gostaria de saber além dos tratamentos propostos pelo artigo se existem outras formas? Executo vários tipos de estimulação neural e fortalecimento muscular, mas por ele não ser cooperativo é complicado a execução do trabalho. Obrigado!

  15. Dra. Rackel says on :

    Olá Kleber,
    Obrigado pelo seu comentário!

    O ideal seria conseguir descobrir uma coisa pela qual o paciente se interesse , como por exemplo alguma atividade que ele tinha antes de ter o AVC, porque senão fica realmente complicado prender a atenção dele no exercício.Meu pai teve um AVC e tem uma certa dificuldade de prestar atenção no exercício, então procuro sempre estimulá-lo com alguma coisa que ele gosta, e vem dando resultado.Já percebi também que objetos que chamem a atenção são grandes aliados na hora de trabalhar com esse tipo de paciente.

    Atenciosamente,
    Dra. Rackel Monte

  16. Bruna de O. Morais says on :

    Bom dia!

    Drª. sou do 3º ano de fisioterapia e estou pesquisando sobre esse assunto o qual é o meu tema de TCC, gostaria de saber quem diagnostica esta sindrome e como. Também gostaria de referencias sobre esse assunto.

    Aguardo a resposta, muito obrigada!

  17. Dra. Rackel says on :

    Olá Bruna,
    Obrigado pelo seu comentário!

    São poucas as referências sobre esse assunto, mas existe uma autora chamada Patricia Davies que publicou dois livros sobre o assunto.Não há nas referências qual profissional deve diagnosticar a síndrome, porém é mais comum fisioterapeutas diagnosticarem durante a avaliação.

    Atenciosamente,
    Dra. Rackel Monte

Deixe um comentário